imensamente perturbados
pelo espelho de mim…
reflexos de luz…
incendeiam rostos
cravados pelo ódio…
à penumbra regressam…
exaustos…
carregados
de angústias e desesperos.

Viajo pelo mar das incertezas e angústias. Busco a praia da paz e das lembranças felizes...
O Céu partiu-se…
uma luz divina iluminou
a minha solidão.
escondi-me sobre a bruma
quente e sedosa da noite.
Rebentaram ventos plangentes…
Sussurraram palavras comoventes…
E eu…
Cercado de espanto,
Procurei a raiva tranquila
De quem padece e não ama…
Dos que sofrem e calam…
Infundadas…
Achei-me nu de mim mesmo…
e a humilhação impede,
de pronunciar a palavra
AMÉN!
A noite passada sonhei com o amor.
Não me lembro bem a forma que tinha, mas sinto ainda o seu perfume meloso, imerso num caudal de nuvens fofas.
Quando o olhei nos olhos, perguntei-lhe simplesmente quem procurava. Riu-se, esticou as mãos e sussurrou ao meu ouvido palavras que não pude mais esquecer:
- Não procuro… afinal encontrei…
No inicio questionei-me, porque nada entendia… os meus olhos estavam cravados de espanto.
Ele deve ter percebido, pois voltou a repetir aquelas enigmáticas palavras:
- Não procuro… afinal encontrei…
Abraçou-me e senti o seu coração bater junto do meu. Extasiei-me ao sabor daquela paisagem que nos envolvia. Trespassaram-me sentimentos aprazíveis, cândidos, sedutores e orgásmicos.
No tempo imperecível que durou aquele abraço, pareceu-me que o meu Eu não era Eu… viajei por paraísos escondidos e impenetráveis… encontrei encantamentos e devaneios… aterrei em terra fértil, plantada de afectos e de prazeres.
Acordei então, debruçado sobre o colo cálido daquele ser. Acolheu-me com um sorriso e um olhar encantador… libidinoso.
- Diz-me… quem és?
- Neste sonho que alimentaste emotivamente, apareci-te para que acredites em mim… decidi evocar-te para me encontrares aqui… neste lugar limpo de imperfeições e de dor. Eu sou apenas o AMOR…
- O Amor que nos faz sofrer? – questionei perturbado.
- Não… eu sou o Amor que vos faz VIVER!
Senti de repente um aperto no peito e não mais voltei a ver aquela imagem sedutora e amiga.
Agora estava deitado na minha cama… naquele mesmo quarto que me acolhe todas as noites e ao qual eu confio os meus dias…
O AMOR FAZ VIVER