Hoje acordei e pensei nos velhos amigos de liceu. Apeteceu-me recordá-los, porque uma parte da minha vida está ainda com eles.
Fizemos tantos planos e construímos juntos, tantos projectos.
Qual o curso que iríamos seguir? Em que idade pensaríamos casar e ter filhos?
Foram momentos loucos, de partilha diária e vivências apaixonadas. Era como se nada no mundo importasse, porque nos tínhamos uns aos outros, e por isso mesmo, a amizade que nos unia, era a mais imponente fortaleza intransponível.
Os anos passaram e os objectivos de vida mudaram. Os caminhos dispersaram e são já poucos os cruzamentos, em que nos encontramos. Mas quando o encontro acontece, já não nos abraçamos com a mesma força. Aproveitamos para lamentar as dificuldades diárias, os desígnios misteriosos que nos destruíram sonhos.
É certo que eles mudaram! Eu também mudei…
Mas hoje acordei… e pensei nos meus velhos amigos! Pensei e voltei a pensar… e tenho saudades!
É sempre muito complicado expressarmos o que sentimos, quando vemos em palco o grande ídolo da nossa adolescência.
Porque ao vermos e ouvirmos quem gostamos, uma torrente de sentimentos faz-nos transportar para uma outra dimensão, onde o êxtase nos habita por completo.
E Madonna é muito mais que uma Artista. É alguém que sabe mexer connosco, que nos toca até ao âmago…
Por isso, não são de estranhar as emoções vividas no Parque da Bela Vista, naquela noite de Domingo, dia 14 de Setembro.
Foram muitas e sentidas em pleno.
Cantei, dancei, vibrei com a energia daquela mulher, que me escandaliza de prazer, cada vez que a olho.
Para além de um grande espectáculo de puro entretenimento, há uma qualquer luz que me leva mais além… talvez até à magnífica lua, que do alto daquele céu, quis espreitar também Madonna.
E no final agradeci… sim, uma prece de louvor aos Deuses, que por uma noite dispensaram a sua mensageira, para extasiar o povo português.
AMEN MADONNA!
Nada…
e de repente o vazio.
que desilusão…
o ar enjoa
o Ser Humano enoja-me
e a fúria voa.
Soam compassos
arrastados
em longos murmúrios
de sofreguidão.
Silêncios…
tudo mudo,
quieto…
o mar desnudo
extasia-me de perto.
Eu já não sou eu
e tu já não és tu.
Somos espectros
habitando o invisível…
sim, eu sei…
deixei de ser O Sensível!
Mas que importa?
Agora tudo é vão..
vai..
e deixa-me contemplar
sozinho,
perturbado,
amordaçado,
a plenitude
Amo as pedras da rua, como amo as pessoas…
porque a elas, também confidencio os meus passos.
E sigo sempre em frente…
sem medos e sem angústias.
As pedras seguram os meus pés,
às vezes exangues e trôpegos.
Quantas vezes
estas mesmas pedras
receberam água do meu rosto,
e gélidos gestos de fuga.
os caminhos seriam deuses…
A vida reflecte-se nos meus olhos…
mareados por trinta anos de amor.
que me persegue com passadas
rápidas e dolorosas.
e espreito o que está por vir.
Se já passaram trinta anos,
que mais haverá por descobrir?
E interrompo o tempo teimosamente!
Do meu ser tudo tiro…
para que a mim tudo volte,
Novamente…
Eternamente…



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