segunda-feira, julho 30, 2007 8 Sensações de Mar

Segredo...

Hoje partilho um segredo.
Estava morto,
solitário enregelado.

Desistindo da vida
amordacei-me ao desespero.
Descontrolei-me
e fui ao encontro da morte.

Apareceu-me de cara fechada
rosto sombrio e disforme…

Eis que então:
uma mão agarra o meu peito
e uma luz atravessa o coração…

Voltei-me e vi Deus…

Desisti da partida.
O meu lugar é a Vida
e não o eterno Adeus.

Acabou-se o medo…
a angústia, o sofrimento…
ficou um segredo
nascido do encanto,
daquele eterno momento.

terça-feira, julho 24, 2007 6 Sensações de Mar

Mergulho

Desenganem-se aqueles que acreditam que eu não posso voar.
Mostrar-lhes-ei as minhas asas feitas de sonho e de desejos.
E depois…
Viajarei por céus estrelados e luminosos…

Arrancarei suspiros e cansaços….
subirei ao cume dos Deuses.

Terminarei a viagem
indo de encontro ao mar…
mergulharei feliz nas ondas quebradiças
onde o tempo não entra,
e onde tudo é êxtase!

segunda-feira, julho 16, 2007 5 Sensações de Mar

Espelho

Olho-me ao espelho e não me reconheço.
Sinto saudades do eu que fui.

Adormeço então no meu passado…
inerte, amortalhado…
lívido das entranhas
que me corrompem.

Procuro um colo,
um silêncio…

Mas nada encontro
para além dos cadáveres…
personagens ignóbeis
que para mim imaginei.

Olho-me ao espelho e GRITO!


quarta-feira, julho 11, 2007 3 Sensações de Mar

Regresso

Apesar de pensar noutras viagens, acabei por aceitar que este é o meu porto de abrigo.
Onde encontro paz e tranquilidade… onde as palavras me devolvem à plenitude dos encontros místicos.

Afinal… vou ficar!!

Sereias e criaturas encantadas do meu mar abracem-me e beijem-me…
o Oceano canta a minha chegada e a sua espuma, ornamenta-me o corpo nu…


quarta-feira, junho 27, 2007 5 Sensações de Mar

FIM


Parto em busca das vozes...


Alguém me chama daquele horizonte, que hoje está carregado de estrelas e de maresia.
O mar, companheiro da minha solidão, clama por mim. Não lhe vou negar a minha presença.
Acendem-se no meu peito, desejos incontáveis de partir... de me embrenhar nos sonhos longíquos da conquista.

Sou um Viajante sem porto seguro. Continuo a viagem... à procura da Praia da Paz e das Lembranças Felizes.

Um dia passarei por aqui... liberto das amarras da angústia e do desespero.
Quando o mar me consagrar ao Eterno, aqui virei recordar as palavras que aos meus amigos ofereci... as minhas viagens pelo inconsciente do belo e do esplendor marítimo.

ATÉ SEMPRE!


terça-feira, junho 12, 2007 2 Sensações de Mar

Mimos


Tiveram saudades minhas?
Sentiram a minha falta?

Gostava que me dissessem que sim…
percepcionar que afinal gostam do que escrevo, faz-me rejuvenescer no amor próprio.

Garanto-vos que não demorei propositadamente a colocar um “post”.

Mas quero ser mimado!!

Mimem-me…

quinta-feira, maio 10, 2007 5 Sensações de Mar

Imensidão


Dono da imensidão.
Senhor do Mar
e do
horizonte sem fim...

Tudo é meu

no que não é!


Onde Deus habita,

residem os sonhos frágeis

da criança que naufraga em mim...


Imensidão
cercada de Paz...

lugar tranquilo...

imerso no amor,

que os outros
sentem por mim.

segunda-feira, abril 23, 2007 4 Sensações de Mar

Voar

Gostava de poder voar.
Erguer a minha vida ao céu
e deixar que as minhas lágrimas caíssem,
para alimentarem os solitários.

terça-feira, março 27, 2007 11 Sensações de Mar

A Morte não Existe

Isabel chegou e pousou as suas mãos nas costas da minha cadeira. Balancei ligeiramente a cabeça e notei que os seus olhos reflectiam um certo mal estar.
Aquele verde penetrante, estava imerso num caudal de lágrimas, pronto a soltar-se.
- Que tens Isabel? – perguntei.
- Sabes que há uns tempos que me ando a sentir mal. Um cansaço constante e umas dores de cabeça infernais.
Certamente que Isabel estava a precisar de umas boas férias. Trabalhava muito e eu sabia bem o quanto isso a tinha desgastado nos últimos tempos. A empresa expandiu-se e todos nós tivemos que suar abruptamente.
Reparei então que as suas mãos tremiam, encostadas à minha face. Estavam frias e húmidas.
- Estás a deixar-me preocupado Isabel.
O meu rosto estava agora estranhamente padecente.
- Fiz o teste de despistagem ao VIH. Sou seropositiva.
Aquelas palavras soaram-me a sentença de morte. Não conseguia imaginar uma amiga, jovem e bonita, morrer de uma doença pérfida e humanamente incompreensível.
- Como foi isso acontecer? – estava perplexo.
- Francisco, simplesmente aconteceu. Não perguntes como. Diz-me apenas como posso ainda ser feliz.
Não respondi… esfreguei as mãos no meu cabelo, hábito que adoptei quando surge algum problema e, deixei-me levar pelos pensamentos que afloravam na minha consciência.
- Para começar, vais fazer as malas. Hoje é Sexta Feira, a meteorologia anuncia calor para o fim de semana e o mar aguarda-nos.
Isabel sorriu… naquele esgar de rosto, reparei que as almas perpetuam-se em corpos frágeis… a morte não existe!
Viajámos entre lágrimas e risos… segredámos confidências sinceras.
Chegados ao destino, avistámos as ondas, que espumavam caudais brancos sobre as rochas negras. Em silêncio, contemplávamos a voz irada do oceano.
- Tudo é tão perfeito, Francisco. Passamos pela vida e ignoramos o que se estende para além do horizonte. Esfumamos o belo, como se ele nunca existisse.
Isabel estava agora comovida. Pensei se quando somos sentenciados de morte, aprendemos que a vida tem muito mais que o banal do quotidiano.
- Isabel, vamos caminhar. Arregaça as calças.. descalça-te e deixa que os pés toquem o infinito entre mar e terra. Perpetuemos a nossa amizade, ao som das trombetas de Neptuno e do canto ameno das Sereias.
- Sempre tão poético, meu querido amigo.
Fiz uma expressão de desconfiança, que logo se desfez em mais uma gargalhada.
Era já noite, quando abandonámos a praia. Uma leve brisa fresca tocava os nossos corpos cansados. As pernas reclamavam descanso. A caminhada tinha sido longa… as brincadeiras, mais que muitas.
Deitámo-nos nas areias inertes e a lua brilhou para nós.
- Acreditas que existe vida para além da morte? – perguntou-me Isabel.
- Sim… acredito mesmo! Nada faria sentido, se assim não fosse. Mas a tua viagem ainda vai demorar. A ciência evolui a cada dia. As esperanças renascem sempre…
- Hummm – murmurou com tom de incredulidade.
Adormecemos. Quando a manhã surgiu, reparámos que os nossos corpos estavam cobertos por uma areia fina… de um perfume suave…
- Francisco, acreditas que as amizades salvam?
- Se os sentimentos que constroem as amizades são verdadeiros, então a eternidade pertence-nos.
- Tal como as estrelas pertencem ao céu…
- Isabel… tal como as nossas almas, pertencem ao infinito.
Os dias passaram… a rotina voltou! Isabel iniciou os tratamentos. Falávamos quase diariamente. Teve uma paixoneta pelo Diogo, médico auxiliar no Instituto de Doenças Infecto-contagiosas.
Eu fui destacado para a Suécia. Uma filial da empresa… um óptimo ordenado. Condições de vida excelentes.
Constantemente enviava e-mails à Isabel. Sempre preocupado com o seu estado de saúde… sempre em busca de resultados positivos.
Passaram dois anos e Isabel encontrava-se melhor. O Diogo tinha sido um companheiro extremoso. Era uma presença importante no caminho de Isabel. Um trilho cujo fim, era sempre uma incógnita.
Num dia frio de Inverno, cheguei a Portugal para uma formação. Visitei a família e calcorreei lugares preenchidos pela saudade.
Decidi então ligar à Isabel. Queria vê-la… estava ansioso por esse momento. Fazia no dia seguinte um mês, desde o nosso último e-mail.
Estranhei quando após larga insistência, ela não atendeu o telefone. Liguei para o hospital.
- Quero falar com o Dr. Diogo Silva, por favor.
- Um momento. Vamos transferir a sua chamada.
O meu coração acelerou. A música da chamada em espera irritava-me profundamente. Sempre fui impaciente…
- Estou??
- Diogo, é o Francisco. Tudo bem?
A respiração do outro lado da linha tornou-se ofegante. A voz emudeceu. Percebi de imediato. Algo de muito grave tinha acontecido.
- Diz-me que está tudo bem, Diogo.
- Francisco, a Isabel morreu!
Não consenti no meu pensamento aquela palavra! Não e não… a morte não existe!
- Conta-me o que se passou. Quero entender… preciso de saber… - a minha insistência era agora doentia.
Após silêncios humedecidos por choros inconsoláveis, Diogo contou-me o sucedido. Uma pneumonia a que Isabel não resistiu. Estava muito fraca devido aos tratamentos. Foi fatal!
Prometi encontrar-me com o Diogo no dia seguinte. Naquele dia não era capaz de o fazer. A notícia da morte da minha amiga endurecia o meu coração… gritei, injuriei tudo e todos!
Havia uma coisa a fazer. Entrei dentro do meu carro e dirigi-me para a praia… só aquele cenário que tinha sido testemunha de uma das amizades mais belas e duradouras, podia amenizar a minha dor.
Caminhei ao por do sol… pisei areias infinitas e mergulhei nas águas gélidas do abismo marinho.
Encostei-me a um rochedo, imergente da espuma feita de fúria e desespero. Ao longe, soou uma melodia cálida. Serenei o espírito e busquei a voz.
Ali… no crepuscular luar, encontrei a Deusa perdida da noite. Mareada por luzes soltas, olhou-me. Reconheci o rosto de Isabel… e com um sorriso, desbravou-me ímpetos de amor e de amizades felizes!

A MORTE NÃO EXISTE!


segunda-feira, março 19, 2007 5 Sensações de Mar

A Ti...

Doirados cabelos
que me devolvem
à paixão arrebatadora,
dos instantes etéreos,
feitos de prazer
e da ventura.

segunda-feira, março 12, 2007 2 Sensações de Mar

Lágrimas

Lágrimas…
azul de mar
que não cessa.

O meu rosto…
fronteira incauta
entre dor e água.

Além dos rios…
estou eu…
corpo de mar
que flutua…
que desfruta dos encantos
malfadados prantos…

Oh sonho perdido
entre cascatas ondulantes…

Por sobre os espíritos,
que respiram maresia
nasço e renasço
corpo frágil,
mudo do mundo
e do infinito...

quinta-feira, março 08, 2007 3 Sensações de Mar

Cansaço

Sinto-me cansado, mas ninguém repara...
As forças esvaem-se por entre os meus silêncios...

Quero ficar só...
deixem-me estar na penumbra da noite...
com o luar reflectido
nas minhas luzidias e ternas faces...


quarta-feira, fevereiro 28, 2007 2 Sensações de Mar

Espectros

Espectros da noite…
imensamente perturbados

pelo espelho de mim…


reflexos de luz…

incendeiam rostos
cravados pelo ódio…


à penumbra regressam…

exaustos…

carregados

de angústias e desesperos.


sexta-feira, fevereiro 23, 2007 3 Sensações de Mar

Trovoada (em mim)...

O Céu partiu-se…
uma luz divina iluminou
a minha solidão.

Ao som forte do trovão,
escondi-me sobre a bruma
quente e sedosa da noite.

Rebentaram ventos plangentes…
Sussurraram palavras comoventes…

E eu…
Cercado de espanto,
Procurei a raiva tranquila
De quem padece e não ama…
Dos que sofrem e calam…

Nesta alegoria de retóricas
Infundadas…
Achei-me nu de mim mesmo…

E dos outros também…

Esses a quem a sorte oprime…
e a humilhação impede,
de pronunciar a palavra
AMÉN!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007 8 Sensações de Mar

O AMOR

A noite passada sonhei com o amor.
Não me lembro bem a forma que tinha, mas sinto ainda o seu perfume meloso, imerso num caudal de nuvens fofas.
Quando o olhei nos olhos, perguntei-lhe simplesmente quem procurava. Riu-se, esticou as mãos e sussurrou ao meu ouvido palavras que não pude mais esquecer:
- Não procuro… afinal encontrei…
No inicio questionei-me, porque nada entendia… os meus olhos estavam cravados de espanto.
Ele deve ter percebido, pois voltou a repetir aquelas enigmáticas palavras:
- Não procuro… afinal encontrei…
Abraçou-me e senti o seu coração bater junto do meu. Extasiei-me ao sabor daquela paisagem que nos envolvia. Trespassaram-me sentimentos aprazíveis, cândidos, sedutores e orgásmicos.
No tempo imperecível que durou aquele abraço, pareceu-me que o meu Eu não era Eu… viajei por paraísos escondidos e impenetráveis… encontrei encantamentos e devaneios… aterrei em terra fértil, plantada de afectos e de prazeres.
Acordei então, debruçado sobre o colo cálido daquele ser. Acolheu-me com um sorriso e um olhar encantador… libidinoso.
- Diz-me… quem és?
- Neste sonho que alimentaste emotivamente, apareci-te para que acredites em mim… decidi evocar-te para me encontrares aqui… neste lugar limpo de imperfeições e de dor. Eu sou apenas o AMOR…
- O Amor que nos faz sofrer? – questionei perturbado.
- Não… eu sou o Amor que vos faz VIVER!
Senti de repente um aperto no peito e não mais voltei a ver aquela imagem sedutora e amiga.
Agora estava deitado na minha cama… naquele mesmo quarto que me acolhe todas as noites e ao qual eu confio os meus dias…

Quando, com lágrimas nos olhos, me debrucei sobre a janela que espelhava aquela noite límpida, uma constelação de estrelas desenhou num céu translúcido, a carismática frase:

O AMOR FAZ VIVER



segunda-feira, fevereiro 12, 2007 9 Sensações de Mar

Oceano Meu

Numa espreguiçadeira feita de algas
deitei o meu corpo repleto de estrelas…

Por entre o canto doce da Sereia
Esqueci quimeras tristes, amargas…

Apenas o Oceano me inebria...
como lhe pertenço!

Só a sua voz
me acolhe, escuta e seduz…
em cada noite fria…


terça-feira, fevereiro 06, 2007 4 Sensações de Mar

ali...

ali…
onde tudo começou…
ali…
onde o fim principiou…
ali…
onde a praia emudeceu…
ali…
onde o amado fui eu…

ali…
onde te busquei…
ali…
onde te amei…
ali…
onde extasiámos…
ali…
onde fantasiámos…

ali…
onde sonhámos…
ali…
onde ficámos…
ali…
onde o teu ser raiou…
ali…
a minha alma ficou…




sexta-feira, janeiro 26, 2007 2 Sensações de Mar

Francisco, Francisco

Francisco... sempre Francisco...
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Maria Bethânia - Francisco, Francisco
Roberto Mendes/capinam
O menino e velho Chico viagens
Mergulham em meus olhos
Barrancos, carrancas, paisagens
Francisco, Francisco
Tantas águas corridas
Lágrimas escorridas, despedidas
saudades
Francisco meu santo, a velha canoa
Gaiolas são pássaros
Flutuantes imagens deságuam os
Instantes
O vento e a vela
Me levam distante
Adeus velho Chico
Diz o povo nas margens



sábado, janeiro 20, 2007 4 Sensações de Mar

Eu e a Poesia

Natália Correia escreveu que "a poesia é para comer".
Esta é uma enorme verdade...

Eu devoro-a com uma vontade sobrenatural. A minha fotografia (que pela primeira vez é exposta no meu Blog), revela essa ansiedade tremenda de alcançar o âmago da génese de todos os versos!


Este sou eu... em palco... recitando o "Cântico Negro" de José Régio...


Oxalá a Poesia se eternize em mim...



sábado, janeiro 13, 2007 3 Sensações de Mar

Busca

Na minha praia
despida de ódios,

busquei o amor intranquilo e sedento

dos amantes embalados pelo vento.

 
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