1.
Defino-me com subtilezas inúteis e palavras vãs...
Alegro-me com passadas fortes em caminhos fecundos…
Volvo à terra prometida, onde a Deusa me espera…
Abraço e beijo seres que me contam histórias verdadeiras…
de sonhos e aflições segregadas…
Viajo pelo mar das incertezas e angústias. Busco a praia da paz e das lembranças felizes...
Antes de esperar que os outros me congratulassem pela passagem de mais um ano (facto por si só, aglutinador de sentimentos depressivos), olhei para o espelho e desejei-me felicidades.
Senti um vazio estranho e constrangedor. Os 29 anos não me pesam absolutamente nada… mas apeteceu-me olhar bem para mim e procurar chegar ao âmago do meu ser.
Choro e lamento o que devia ter feito e não fiz… traço caminhos com destinos marcados, em horizontes firmes e belos.
Hoje quero partir por esta estrada... quero tocar o Sol...
When owls call the breathless moon
In the blue veil of the night
The shadows of the trees appear
Amidst the lantern light
Chorus:
We've been rambling all the night
And some time of this day
Now returning back again
We bring a garland gay
Who will go down to those shady groves
And summon the shadows there
And tie a ribbon on those sheltering arms
In the springtime of the year
The songs of birds seem to fill the wood
That when the fiddler plays
All their voices can be heard
Long past their woodland days
Chorus
And so they linked their hands and danced
Round in circles and in rows
And so the journey of the night descends
When all the shades are gone
Poema
A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sophia de Mello Breyner Andresen
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