Nada…
e de repente o vazio.
que desilusão…
o ar enjoa
o Ser Humano enoja-me
e a fúria voa.
Soam compassos
arrastados
em longos murmúrios
de sofreguidão.
Silêncios…
tudo mudo,
quieto…
o mar desnudo
extasia-me de perto.
Eu já não sou eu
e tu já não és tu.
Somos espectros
habitando o invisível…
sim, eu sei…
deixei de ser O Sensível!
Mas que importa?
Agora tudo é vão..
vai..
e deixa-me contemplar
sozinho,
perturbado,
amordaçado,
a plenitude
Amo as pedras da rua, como amo as pessoas…
porque a elas, também confidencio os meus passos.
E sigo sempre em frente…
sem medos e sem angústias.
As pedras seguram os meus pés,
às vezes exangues e trôpegos.
Quantas vezes
estas mesmas pedras
receberam água do meu rosto,
e gélidos gestos de fuga.
os caminhos seriam deuses…
A vida reflecte-se nos meus olhos…
mareados por trinta anos de amor.
que me persegue com passadas
rápidas e dolorosas.
e espreito o que está por vir.
Se já passaram trinta anos,
que mais haverá por descobrir?
E interrompo o tempo teimosamente!
Do meu ser tudo tiro…
para que a mim tudo volte,
Novamente…
Eternamente…
No entanto, sinto a obrigação de abrir uma excepção.
“Foi Assim” de Zita Seabra, foi um livro que li em dois dias e o qual já cataloguei, como um dos livros da minha vida.
Para mim, que nasci após o 25 de Abril, foi emocionante sentir toda aquela ambiência e viajar através de todas as vivências da autora.
Deixei-me guiar pela mesma paixão com que se abraça uma causa e como, de forma por vezes brutal, nos deparamos com uma realidade sórdida, que põe em causa todos os valores que até então defendemos.
Parabéns a Zita Seabra pela coragem e pela forma exemplar com que nos dá uma lição de história.

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